

SAUDADE EM FORMA DE PRECE

No silêncio
a dor transforma
meu coração tão triste,
preciso de um desabafo:
Mais um ano se passou
e cabisbaixa caminhei
à lhe levar flores
minha doce, serena
e meiga mãezinha.
Flores em tons de rosa,
a cor que mais apreciavas,
com suave perfume
e pétalas delicadas.
É muito difícil ainda
depositar flores
onde só há um gramado
e a lápide fria com as placas
contendo os seus nomes,
Meu pai e minha mãe.
que flores novas nasceram,
as árvores cresceram
nesse jardim onde se encontram.
Em meu coração
também cresceram
os mais difíceis e cruéis sentimentos,
nunca antes tão fortes e doídos;
O da perda, da dor,
da ausência, da solidão!
Minha mãezinha querida,
nove anos e meio são passados
e como se explica
o sentir seu cheiro,
o ouvir sua voz,
o sentir o seu abraço?
Acho até que tenho as respostas,
só não tenho plena convicção...
Meu papi querido
que partiu há dez anos
também faria aniversário hoje.
- Estão em festa?
- Viram as flores?
- Sentiram as vibrações de minhas preces?
Descartem os meus lamentos,
relevem a minha dor,
perdoem-me as fraquezas
e recebam de todo o meu coração,
o mais sublime dos afetos,
o afeto de uma filha que ama,
que ficou só a relembrar...
Não tendo à quem contar
a nossa história...
Peço ao Mestre Jesus
que os iluminem
e que faça sobrar para mim também
um raio de luz, que possa
aquecer meu coração
frio, dolorido
e tão cheio de saudades.
Cleidiner Ventura/Anjo
10.05.2004


FEITIÇOS DE AMOR
Vendo feitiços de amor
em ramos de rosas vermelhas
perfumadas de gardênia
em poções mágicas de paixão!
Quem dele quiser comprar
basta telefonar
na noite do dia 30
Para tudo concretizar.
cleidiner

Autora: Cleidiner Ventura/Anjo
Brasil
Um dia sai de manso
passei a ponte
e pensei....
eu volto!
Pra trás eu via sumindo
as casas, as igrejas,
as árvores...
O rio já não me acompanhava
serpenteando suas águas
ao lado de minha janela.
Pela estrada eu seguia
rumo ao desconhecido.
Me mudei, cidade grande,
escola e trabalho árduo.
A saudade residia
no meu peito latejando
e o som era tão forte
que ecoava nos ouvidos meus.
fui vivendo.
Não voltei - terra minha!
desde que passei a ponte
tantas coisas se passaram...
Voltar agora pra quê?
Tanta gente que eu queria,
de abraços apertar,
não mais estão me esperando.
Os amigos...
também passaram a ponte!
Passei,
passamos todos!
Mais se não fosse esse rio
a atravessar minha terra,
por certo não teria nascido
em Santa Cruz do Rio Pardo!

Sabe minha querida Virgem Maria,
quando sozinha fiquei,
na partida de meus pais,
blasfemei,
chorei,
gritei!
Nenhuma prece orei...
Após dias de angústia
e sofrimento amargo
de sentir-me
só, abandonada
-perdida minha identidade-
pois foi assim que me senti;
Veio-me à mente a história
de sua passagem na terra,
quando em prantos
viste Seu Filho partir...
Então minha mãe,
no silêncio de meu quarto,
orei
e lágrimas turvavam
minhas vistas,
embargavam minha voz
e assim mesmo eu implorava
que de mim tomasse conta...
Que minhas mãos segurasse,
que minhas lágrimas secasse
e que pudesse ver,
além do horizonte,
as luzes da serenidade;
e que pudesse entender
o porquê da partida
dos seres que mais amava...
E você, minha doce Mãe,
minhas mãos segurou,
com seu lenço branco de luz
minhas lágrimas secou,
deu vida à minha voz
que, serenamente,
ora todos os dias,
pela paz no mundo,
pelas crianças sem lar...
Aprendi mãezinha querida,
que dores outras existem,
que lágrimas são choradas
em todos os cantos do mundo,
que egoísta eu era!!!???
Crendo que o sofrimento
só em meu coração morasse!
Cleidiner Ventura - 24.03.2004
Esse meu poema foi publicado, para minha alegria,
no Livro que homenageou São Paulo, nos seus 450 anos,
livro esse publicado pela Editora Ânima Cultural
e lá está, junto com o poema, de ningém menos que: Mário de Andrade!
cleidiner ventura/anjo 


A rua em que eu nasci era de terra;
Terra vermelha e quando caia a chuva, fazia enxurrada que corria caldulenta, escura, como fosse calda de pudim de leite que perdeu o ponto; Essa calda corria nas laterais da rua como fossem dois rios perdendo volume, correndo em terra quente no calor de quase 40º.
Os poucos carros que passavam, deslizavam no meio da rua, só mesmo as carroças com os seus burros, conseguiam passar sem problemas.
As pessoas passavam no espaço destinado às futuras calçadas (passeio-público), com cuidado, mas mesmo assim, os sapatos ficavam vermelhos de barro.
E quando a chuva parava, o sol já ameaçava por sua cara de luz por entre as nuvens e o calor voltava forte, os raios do sol secando a rua, rachava o barro que ficava feito lascas de chocolate, nessa hora o céu parecia uma caixa de lápis de cor em degrade de vermelho.
Acho que as pessoas nunca entenderam o porque de eu ficar tanto tempo observando a rua, sentada no muro da frente de minha casa.
Sempre fui fascinada pelo céu de minha terra e esse céu, após a chuva, era infinitamente mais bonito, era tudo o que alcançavam os meus olhos de menina; dormindo sonhava com ele; era capaz de encontrar e contar infindáveis carneirinhos que as nuvens me permitiam, pois não havendo vento, eles ficavam mais tempo no céu sem se diluir; sempre achei que observando o céu, Deus também me observava – pois Deus era e é, toda essa natureza!
Soltar papagaio/pipa, era um grande evento, lançava nos céus meus papagaios de papel celofane com rabiola de argolas do mesmo papel, coladas com cola caseira, de farinha de trigo e água, não podia por muita, para não pesar; a linha era fácil de conseguir, minha mãe sempre teve amor à costura e em sua máquina, tinham gavetas recheadas delas e de todas as cores e se ali não tivesse, por certo teria na alfaiataria de meu pai.
No inverno, durante as férias escolares, o céu ficava ainda mais colorido, havia por lá a disputa do mais bonito papagaio e daquele que mais alto se mantivesse no infinito azul daquele céu que protegeu-me e permitiu-me sonhar...
Era tão doce amar a minha rua...
rua de caramelo, rua de chocolate...
Dos pássaros que lá cantavam, principalmente após a chuva, trago nos ouvidos os doces acordes.
A Deus agradeço a permissão de ter nascido lá.
SP/23.07.2008
00:21 horas
Cleidiner Ventura

Para minhas amigas, com carinho
Cleidiner/anjo

BOA SEMANA
beijos,
Cleidiner/anjo

...Dizes que sou o futuro.
Não me desampares no presente.
Dizes que sou a esperança da paz.
Não me induzas à guerra.
Dizes que sou promessa do bem.
Não me confies ao mal.
Dizes que sou a luz dos teus olhos.
Não me abandones às trevas.
PELO ESPÍRITO DE MEIMEI

DEIXE A CRIANÇA QUE HÁ EM VOCÊ
MANIFESTAR EM ATITUDE DE AMOR,
INGENUIDADE E SINCERIDADE.



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